De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo.
A oeste a morte
Contra quem vivo
Do sul cativo
O este é meu norte.
Outros que contem
Passo por passo:
Eu morro ontem
Nasço amanhã
Ando onde há espaço:
– Meu tempo é quando.
mas o farei de outra forma
breve e curta
Pois mais perspicazes,
serão minhas palavras mudas
Sabe que não me encanto facilmente
nós, sob os céu dessas estrelas,
sabemos melhor que ninguém..
Darei-lhe, então, um abraço
longo, apertado
que de sentimento
poderia explodir todo o
firmamento,
e transformá-lo em minúsculo
fragmento de luz
É que urge de mim uma necessidade
de mostrar-lhe o que penso,
tão vorazmente
que lhe causaria dor
É que irrompo a madrugada,
e mostro-lhe a aurora:
para que você saiba de tudo agora,
para que eu mesma, não diga nada.
Como o silêncio revelador
e a cumplicidade destes olhos gentis
as palavras que magoam
são as mesmas que tocam,
mas não as que elucidam
nossos casos vis.
PAULO LEMINSKI
"Admiro os poetas. O que eles dizem com duas palavras a gente tem que exprimir com milhares de tijolos."